Mensagem da Comissão de Gestão da FPR sobre o Orçamento 2019

Dezembro 07, 2018


Foi aprovado na passada semana, em Assembleia Geral Ordinária da Federação Portuguesa de Rugby, o Plano de Atividade e Orçamento para o ano de 2019, por unanimidade dos 32 delegados presentes na assembleia.

 


"MENSAGEM DA COMISSÃO DE GESTÃO"

A Comissão de Gestão em funções desde a Assembleia Geral Extraordinária realizada em 28 de Julho 2018, na sequência da demissão do Presidente e da Direção, apresenta-vos um Plano e Orçamento que, na sua grande parte, vai ser executado por uma direção a eleger no próximo ato eleitoral previsto para Fevereiro 2019.

 

Sendo a situação financeira da FPR bastante difícil, com um passivo que ronda os 600.000 euros e que deverá ainda ser ligeiramente agravado com os resultados de 2018, este plano e orçamento tem como caraterística fundamental o rigor orçamental.

 

Sendo assim há que rentabilizar os parcos recursos existentes eliminando custos não produtivos e procurando sempre equacionar o binómio custos/benefícios.

 

A FPR perdeu, nas últimas épocas recursos financeiros significativos com a redução dos apoios da World Rugby devido ao retrocesso competitivo das nossas seleções de XV e Sevens, e de alguns patrocinadores.

 

Urge, pois, reconquistar patrocínios que possam contribuir para um inverter da situação e voltar a afirmar as seleções nacionais de XV e Sevens como equipas competitivas, não só no espaço europeu, mas também na área mundial. As prestações das nossas equipas jovens, Sub-18 e Sub-20, especialmente esta, têm obtido resultados que nos permitem encarar com algum otimismo o futuro das seleções seniores.

 

E não podemos esquecer que são estas a montra internacional do nosso rugby. Para isso é indispensável que todos os agentes do rugby português de que a FPR emana se empenhem nesse desiderato.

 

Este orçamento reflete a preocupação da Comissão de Gestão em incrementar transversalmente, em todas as áreas, práticas de otimização e rentabilidade, que permitam o desenvolvimento, sustentabilidade e promoção do RUGBY.

 

No Alto Rendimento foi posto em execução uma coordenação, com um responsável geral dessa área, sem alterações significativas na sua estrutura, mas é indispensável efetuar uma revisão total da estrutura técnica demasiado pesada para os atuais recursos da FPR. No orçamento propõe-se uma redução significativa dos custos dessa área que deverá ser implementada durante o ano de 2019. Por outro lado reforçam-se as verbas destinadas a preparação das diversas seleções.

 

As reduções dos patrocínios e do apoio financeiro da World Rugby exigem que sejam encontrados outros meios de financiamento que permitam manter o desenvolvimento e a melhoria do nível competitivo internacional.

 

Em 2019 será necessário preparar um plano de preparação da seleção nacional de XV que lhe permita aspirar a uma qualificação para o campeonato do mundo de XV a realizar em França em 2023.

 

No que respeita aos Sevens está em curso um plano de preparação para disputar a qualificação para os Jogos Olímpicos Tóquio 2020, a realizar muito possivelmente em julho 2019, e para o apuramento para o Torneio de Hong Kong 2020, que permita disputar o acesso às World Sevens Series 2020/2021. O recente convite para Portugal participar no Hong Kong Sevens, em Abril, é um sinal de abertura da World Rugby que importa encarar como de grande importância para uma evolução futura dos sevens. Para isso importa que os clubes portugueses não coloquem limitações à escolha de jogadores e apoiem fortemente essa participação.

 

Na competição interna, o modelo competitivo do 1º escalão, com apenas 14 jogos não satisfaz os requisitos do rugby nacional apontando-se para uma competição que envolva 20 a 25 jogos. Não nos parece caber no âmbito de uma Comissão de Gestão fazer alterações significativas no modelo atual propondo-se apenas introduzir meias-finais.

 

O 2º escalão que se tem revelado como altamente competitivo e que representa bem a implantação geográfica do rugby deve manter um modelo igual ao atual. Do mesmo modo não se propõe qualquer alteração ao atual modelo para o 3º escalão competitivo sénior.

 

Mas além das competições atuais urge recriar uma competição intermédia entre os clubes e as seleções nacionais, modelo esse que vigora em vários dos países mais competitivos no rugby mundial. A organização de equipas regionais e a sua integração em torneios com várias jornadas, constituiria essa etapa intermédia essencial para o desenvolvimento dos jovens jogadores, levando-os a integrar as equipas nacionais já com uma maior experiência competitiva, para além dos seus clubes. A estrutura competitiva para a época 2019/2020 deverá contemplar essa competição.

 

A realização de realizações periódicas com os representantes dos clubes dos diversos níveis competitivos é uma prática posta em vigor e que deverá ser continuada. O rugby é de todos e a relação FPR / Clubes é essencial. 

 

Os regulamentos necessitam de ser reformulados, eliminadas as suas incongruências. A Comissão de Gestão propõe-se fazer esse trabalho deixando para a futura direção a sua colocação em prática.

 

Neste orçamento está previsto manter apenas o apoio em seguros aos novos filiados que, nas duas primeiras épocas de atividade, terão esses encargos suportado pela FPR. Igual princípio se aplicará ao rugby feminino excluindo-se qualquer apoio em seguros.

 

Na área do Desenvolvimento propõe-se que a FPR continue a assegurar os custos de dois técnicos regionais por associação, mas que caiba a estas a obtenção de fundos que lhes permita manter e aumentar a sua atividade. O recém-obtido patrocínio da AGEAS é vital para assegurar a atividade nacional. Esta área será focada no esforço de recrutamento e retenção de novos jogadores de rugby, com destaque para as áreas do rugby escolar e do denominado “rugby social”, onde se inclui o “touch” rugby, em fase de forte expansão. A colaboração com a Associação Portuguesa de Touch Rugby, associada da FPR é de grande importância para a continuada afirmação desta variante.

 

No rugby feminino, que atravessa uma época de menor desenvolvimento, se não mesmo uma retração, pretende-se relançar uma maior atividade com torneios de Tens além da habitual atividade de sevens. A concentração da atividade apenas nos sevens mostrou ser incorreta pois aliena uma fatia significativa de potenciais praticantes. Sendo a prática mista nos escalões até sub-14 inclusive, e a única competição feminina existente ser no escalão sénior, onde é possível integrar jogadoras sub-18, há um intervalo entre os 14 e os 16 anos. Urge encontrar uma solução para este problema que tem representado um fator de abandono.

 

Em termos comerciais, a FPR revela em 2018 um grau de estabilização face à estrutura de rendimentos comerciais, antevendo-se a possibilidade da modalidade começar a recuperar, lenta mas sustentadamente, a sua capacidade para demonstrar competência na valorização comercial dos seus ativos, com destaque para os patrocinadores das várias seleções, e das diversas competições.

 

Durante 2019 é indispensável ainda preparar um plano estratégico que possibilite uma visão a médio prazo para o rugby nacional. A comissão de gestão propõe-se iniciar esse trabalho.

 

O orçamento para 2019, com uma receita total prevista de 1.681.000 €, garante o cumprimento da nossa atividade regular, de competições, promoção e desenvolvimento, e um investimento na melhoria competitiva das seleções, possível com uma significativa redução dos custos fixos dessa área. Pretende-se ainda poder libertar recursos para a amortização de dívidas existentes.

 

O Orçamento e o Plano de Atividades tiveram por base o rigor orçamental e financeiro, como garante da evolução desportiva e consolidação da modalidade, no panorama desportivo nacional e internacional.

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